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Ato na Praça dos Três Poderes faz “cortejo fúnebre” em homenagem as 300 mil vítimas do coronavírus

  • 25 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

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Um movimento silencioso e ao mesmo tempo, um grito de socorro. Assim pode ser definido o ato realizado hoje (25) na Praça dos Três Poderes para homenagear as mais de 300 mil vítimas do coronavírus e da ineficiência do Governo Federal. Cerca de 10 pessoas participaram do protesto, para não infringir as medidas de distanciamento e de prevenção ao vírus.

A mobilização foi organizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), e contou com o apoio de entidades como o SindEnfermeiro-DF, Sindicato dos Odontólogos (SODF), Conselho de Saúde (CSDF) e OAB-DF – que auxiliou com o plantão jurídico aos participantes.

Com início às 8h45, os presentes vestiram camisetas pretas em sinal de luto e realizaram um cortejo fúnebre em direção ao centro da praça, carregando um caixão com um mapa do Brasil, em simbologia às mortes ocorridas em todo o país. Em seguida, cada um dos participantes depositou uma rosa em cima da urna funerária.

“Estamos perdendo a empatia”

De acordo com a presidente do SindEnfermeiro, Dayse Amarílio, a falta de uma liderança no combate ao vírus fez com que a situação se tornasse caótica, e aponta que chegamos a um ponto que as pessoas estão aos poucos “perdendo a empatia com a dor do próximo”.

Ela afirma ainda que “o objetivo do ato era de trazer duas situações: o luto, no sentido de tristeza e pesar por todas as pessoas que perderam seus entes queridos, mas também o “luto”, como afirmação de uma luta em busca de um país melhor – um país que no momento se encontra dilacerado e sem liderança. Mas precisamos passar a mensagem de que quem faz uma nação são as pessoas, e elas são as responsáveis por fazer da nação um lugar melhor”.

“Tudo isso poderia ter sido evitado”

A presidente do Conselho de Saúde (CSDF) e do Sindicato dos Odontólogos do DF, Jeovânia Rodrigues, reforçou que o ato foi mais um grito de socorro em meio a uma tragédia anunciada e que poderia ter sido evitada, não fosse a inércia do poder público em tomar as ações políticas necessárias.

“O ato surgiu da ansiedade de ver que os números de óbitos estavam acelerando, e por saber que todas as orientações pautadas na ciência e epidemiologia demonstravam que [no Brasil] faltavam ações políticas, especialmente para incentivar o cumprimento das medidas de isolamento e oferecer opções como um auxílio emergencial realmente abrangente – pois só o investimento em condições de atendimento e internação não era suficiente naquele momento”, afirmou.

Necropolítica

Para a enfermeira Lígia Maria, “o ato de hoje demonstra que ainda existem pessoas que se importam com tudo que está acontecendo”. Ela afirma, ainda, que o país vivencia “uma política de morte, através das mãos de pessoas que se utilizam do vírus para promover o assassinato em massa das populações mais vulneráveis e da juventude – especialmente a pobre e negra”.

Por fim, Lígia relembra que “os profissionais da linha de frente estão morrendo sem nenhuma assistência, e [os trabalhadores da saúde] não deveriam ser vistos só como heróis, mas como pessoas que estão passando por necessidades nesse momento e precisam de melhores condições para trabalhar”.

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