“Somos a sua voz”: ato no HRAN faz homenagem para profissionais de saúde e chama atenção para importância da Enfermagem
- 21 de mar. de 2021
- 5 min de leitura
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Cerca de 30 profissionais de enfermagem participaram do ato, realizado no estacionamento do hospital para não infringir as medidas de distanciamento social. Entre os participantes também estava a presidente do Conselho de Saúde do DF, Jeovânia Rodrigues. No caminho para a entrada para o acolhimento dos pacientes com suspeita de covid, enfeites com balões e cartazes que davam voz às frases dos próprios servidores do HRAN, que deixaram suas declarações sem saber da existência do ato. Mas, em meio a agradecimentos e emoções afloradas, o pedido de valorização da categoria foi o que predominou.
O ato, organizado a partir de uma ideia da presidente do SindEnfermeiro, Dayse Amarílio, ganhou forma graças ao apoio de profissionais de saúde e do próprio sindicato, que resolveram aderir à causa formando o movimento “Voz da Enfermagem”. O objetivo foi de acolher e reconhecer o trabalho daqueles que estão na linha de frente contra o coronavírus, dedicando as suas vidas em prol da saúde da população e enfrentando inúmeras adversidades para tal.
Além disso, a iniciativa também promoveu a arrecadação de roupas e alimentos para doação a instituições de assistência à pessoas em situação de vulnerabilidade, e equipamentos de proteção individual (EPIs) para as unidades que se encontram com déficit de insumos.
Durante o ato, foram distribuídos aos profissionais de Enfermagem um kit especial contendo máscara do tipo N95, um refil de álcool gel e uma mensagem especial, além de um pequeno pacote com lanches para os enfermeiros e os plantonistas desta noite de todas as categorias.
A Voz da Enfermagem
Dayse segue dizendo que “apesar da negligência histórica com a Enfermagem, projetos como as 30 horas e o piso salarial parados há mais de 20 anos, apesar de não termos um governo, nós estamos plantando uma semente que talvez não vejamos frutificar, mas em algum momento ela vai. A nossa vontade era de abraçar cada um, mas como não podemos, seremos a sua voz”, completou.
A enfermeira Marcela Vilarim, que participou da organização do ato, reforçou o mote de dar voz aos profissionais, afirmando que “a gente precisa mostrar para a população o que de fato estamos vivendo aqui, porque muitos não estão acreditando a gravidade da situação”.
Cuidado com a saúde mental
O ato também teve como objetivo chamar atenção para a saúde mental dos profissionais que estão na batalha diária contra o coronavírus. Desde o início da pandemia, o número de trabalhadores em afastamentos por motivo de doença chegou a níveis alarmantes, e são inúmeros os relatos de enfermeiros que estão no seu limite físico e mental.
Para Jorge Henrique, secretário-geral do SindEnfermeiro, o ato de hoje foi a maneira encontrada para abraçar e se solidarizar com o momento vivido pelos profissionais.
“Essa também é uma forma de dar apoio emocional para os trabalhadores que estão vivendo tudo isso (pandemia). Estar em uma unidade que é referência no atendimento aos pacientes contaminados com o vírus faz com que os trabalhadores se sintam abraçados para seguir em frente nessa luta, que vem sendo tão difícil’, afirmou.
“Calor no coração”
Uma médica que chegava para o plantão, ao observar o ato realizado para os trabalhadores da saúde, não conteve a emoção e as lágrimas. De acordo com a profissional, que se identificou apenas como Rafaela, “não tem sido fácil […] mas quando eu cheguei aqui hoje e vi esse pessoal todo, e a Enfermagem falando, eu senti um calor no coração. Acho que quem trabalha aqui têm se doado tanto, e ver essa retribuição de alguma forma é muito legal”.
Já a estudante de Enfermagem da Universidade de Brasília (UnB), Camila Marçal, que também participou do ato, afirmou que se sentiu tocada com a iniciativa e o objetivo de dar voz aos profissionais de saúde.
“Me tocou muito quando fiquei sabendo do objetivo do ato – de dar voz aos trabalhadores que queriam estar passando uma mensagem, mas por algum motivo não podem porque afinal, a gente também tem família. Estamos cansados, morrendo de medo, mas temos que estar lá firmes e fortes, desabando só pelos cantos e mesmo assim se levantando muito rápido para continuar nosso trabalho”, disse.
A gerente de Enfermagem do HRAN, Cleyde Crisóstomo, relembrou as dificuldades enfrentadas por ela e outros profissionais durante essa pandemia, e agradeceu à organização pela sensibilidade com a causa da categoria.
“Como profissional, é maravilhoso ver que temos pessoas ao nosso lado, e que tanto os enfermeiros, técnicos e auxiliares estão tendo apoio e sendo abraçados. Está sendo difícil, mas Deus têm me dado forças. Outro dia, eu estava comentando com colegas que nós fomos para a guerra, levamos dois tiros, e voltamos novamente pra guerra – dessa vez com menos leitos, mas com muito amor e dedicação. É um estímulo chegar no plantão e receber um lanchinho, um equipamento”, afirmou.
Nem tudo são homenagens
Para Tarcísio Faria, diretor executivo do SindEnfermeiro, o ato ganha importância ainda maior frente à omissão do Governo Federal em garantir condições dignas de trabalho para os profissionais da linha de frente, lembrando ainda a postura negacionista que tem norteado as medidas tomadas pelo Executivo.
“Esse ato nasce da necessidade de apontar a omissão quase criminosa do Governo em não olhar para as dificuldades enfrentadas pelos profissionais. É um descaso muito grande, não apenas com a população que está sem vacinas, sem leitos e sem oxigênio, mas também com os trabalhadores da saúde que estão adoecendo e morrendo”, afirmou.
Ele lembra, ainda, a importância do apoio do SindEnfermeiro à ações como a de hoje – ressaltando o papel da entidade em dar suporte e apoio para as enfermeiras e enfermeiros.
“O sindicato, enquanto agente de transformação, tem o papel de ajudar os enfermeiros que estão passando por esse momento difícil, mas também estamos aqui para lembrar à população para a importância dos meios de proteção – máscara, álcool em gel e o distanciamento, porque não temos um presidente que faça isso. Ele acredita que os leitos não estão lotados, que o povo não está morrendo e que o mundo gira em torno do seu umbigo”, completou.
Abraço em forma de brinde
Durante o ato, também foram distribuídos brindes aos profissionais de saúde, e um kit com lanche para os enfermeiros que entraram no plantão desta noite – através do apoio dos supermercados Dona de Casa, que forneceu os alimentos.
Em nota, a assessoria do supermercado declarou que “o somatório de esforços, sem dúvida, vai ser um dos fatores determinantes para que a gente saia dessa situação”, reforçando ainda o “apoio, admiração e, acima de tudo, a gratidão ao serviço realizado por todas as equipes de enfermagem à frente do combate ao coronavírus”.
Doações
A iniciativa “Voz da Enfermagem” não só arrecadou donativos e equipamentos de proteção durante o ato, como também disponibiliza canais de comunicação para a entrega das doações.
O objetivo é de levar os EPIs para os profissionais que trabalham em unidades com grande volume de atendimentos e que estão sofrendo com o déficit de insumos. Já as roupas e agasalhos serão doados para diversas instituições de caridade.
Para realizar a sua doação, basta entrar em contato com os seguintes telefones:
Úrsula Nepomuceno, diretora do SindEnfermeiro: (61) 98400-6262
Roseli Escobar: (61) 99118-3707



